domingo, 13 de fevereiro de 2011

GUARDIÃ DE REBANHOS



                                      Eulália M. Radtke


Mulher de Eva,
mulher da seda
                    plebéia ou rainha.

Mulher da vida,
ligas penas e plumas.

Mulher do mundo,
espelhos linhos e tafetás.

Mulher da rua,
ouro peles e xales de franjas.

Moça do fado.

Mulher da zona,
à-toa do fandango da comédia mundana
                                    fêmea e cortesã.

Ainda plebéia ou rainha,
mulher decaída égua loba e andorinha.

Ainda plebéia ou rainha,
mariposa de vidro de má nota errada
                                        ou vadia.

Mulher plebéia do meio ou rainha,
das camas insalubres, colchas de seda
                             dos guetos e sozinha.

Mulher mágica,
meio peixe meio lua
                             vítimas domésticas,
                               -quase feias-
enrugadas frontes na comovente indiferença
pela beleza.

Gazelas e borboletas,
inquietantes, sinuosas e fugidias
como a areia no deserto.

Vênus lascivas
-garças selvagens voando suas asas
em perfeita solidão

Mulher do manto e da reza,
campesinas graves e duras
como as estrofes de uma ode.

Mulher de crinas, cavalas
                                 Safos virís e lúdicas,
cosedeiras de portas entreabertas.

Joanas D'arc e Amélias
Evitas e Leopoldinas
Indiras e Anitas
Duquesas de Windsor e Marias Bonitas
Princesas e Maria da Silva,

todas rainhas
antigas e sagradas como a carne e o sangue.

    (  trecho do poema- A GUARDIÃ DE REBABHOS, da
obra LAVRA LÍRICA- ED. CM-FCB . Livro do Ano 2000 eleito
pela Academia catarinense de Letras)
               15/3/2006  20:59

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